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Chame o síndico! Setor cresce, mas precisa de profissionais capacitados

“Tira essa escada daí. Essa escada é prá ficar aqui fora, eu vou chamar o síndico.” A figura é tão representativa que foi mencionada pelo compositor Jorge Ben Jor, ainda em 1990, em uma alusão ao cantor Tim Maia.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas no município de São Paulo, 5 milhões de pessoas moram em mais de 30 mil complexos residenciais. Há condomínios que possuem até 37 torres, 12 mil moradores, e arrecadam mais de R$ 1 milhão, por mês, apenas com taxa condominial.

“O mercado de gestão condominial cresce de forma exponencial e apresenta muitos desafios, em função do crescimento e das exigências legais e das demandas dos moradores”, afirma a administradora e consultora, Rosely Schwartz.

Ela comanda o Grupo de Excelência em Administração de Condomínios (GEAC), do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), e é autora do livro “Revolucionando o Condomínio” (Editora Saraiva). É, também, coordenadora e docente do curso ‘Administração de Condomínios e Síndico Profissional’, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap-SP), no formatos presencial e online.

De acordo com a especialista, o setor oferece diversas oportunidades de trabalho e negócio a síndicos profissionais e administradores. Os profissionais da Administração têm tido papel cada vez mais importante no segmento.

Entre as funções que podem ser exercidas na área estão desde a orientação, até o cumprimento de todas as necessidades legais, tais como: segurança contra incêndio, questões trabalhistas e tributárias; e-Social e a Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Informações Fiscais (EFD-Reinf) — que entrará em vigor, em data a ser estipulada pela Receita Federal Brasileira. Quem deseja capacitar-se na área é grande o potencial de êxito.
Por vezes, o síndico-morador não possui tempo para dedicar-se à gestão, nem conhecimento ou disposição para atender às demandas. Por isso, existe a necessidade de profissionais especializados na área para suprir a necessidade do mercado.

“Muitos começam como autônomos e, depois, com o aumento no número de condomínios, abrem empresas especializadas em sindicatura. Embora existam profissionais excepcionais, ainda há carência de gestores capacitados e comprometidos em atender à legislação e às expectativas dos moradores”, explica a especialista.

Remuneração

A média salarial varia de acordo com o número de apartamentos, de moradores e da área comum envolvida. Também depende do número de funcionários, próprios ou terceirizados, e da quantidade de horas em que o profissional deverá permanecer no condomínio ou no escritório.

Embora não exista, ainda, a definição de uma tabela referencial de honorários – como ocorre com as empresas administradoras em alguns estados – o site Catho, de colocação profissional, dá uma pista de quanto um administrador de condomínios pode obter como remuneração. Segundo a publicação, na cidade de São Paulo-SP o profissional tem como média salarial de R$ 3 mil a R$ 4 mil.

Formação

Por ser uma área considerada nova, há quem acredite que a gestão de condomínio é simples, sem risco e de ganho fácil. Mas a incapacitação ou capacitação deficiente, para o dia dia do segmento, é um problema.

As falhas mais recorrentes são o descontrole financeiro, que acarreta superfaturamento de obras, ou a utilização de recursos para finalidades diferentes das aprovadas em assembleia. Pode haver, ainda, prejuízos relacionados à infraestrutura, como a falta de limpeza das caixas d’água e ausência de vistoria na rede de gás; além do não cumprimento de obrigações trabalhistas e fiscais, o que constitui passivo que deve prejudicar todos os condôminos.

É preciso, portanto, ter preparação técnica para assumir a função. “O condomínio precisa ser administrado como uma empresa, e a formação do administrador é multidisciplinar e ideal para a gestão de condomínios, que envolve várias áreas do conhecimento”, afirma Rosely.

Segundo ela, para que haja maior responsabilidade e comportamento ético, no desenvolvimento das atividades de gestão condominial, o registro em CRA é fundamental.

Síndico profissional

De olho nesse mercado, a administradora Elis Rocha buscou especialização na área. Ela conta que no início não havia muitos cursos de formação, e a literatura sobre o assunto também era escassa.

Depois de participar de eventos, seminários e cursos voltados para administração de condomínios, a gestora conheceu a pós-graduação oferecida pela Faculdade Senac, do Distrito Federal. Na especialização, ela expandiu o conhecimento para áreas como engenharia e teve aulas com professores renomados como Ronaldo Bach e Demóstenes Azevedo. “Faz diferença se preparar com os melhores”, garante.

Desde 2009 atuando na área, Elis já administrou seis condomínios e possui cases de sucesso na carreira. Seu primeiro desafio aconteceu em um complexo residencial em Brasília que arrecadou taxa extra, durante 15 anos, para realizar obra com irregularidades.

Na época, ela conta que enfrentou grandes desafios. “Tinha dia em que eu respirava forte e dizia ‘não vou dar conta’. Mas no fim, uma obra de quase R$ 3,5 milhões foi totalmente quitada, sem erros e sem falhas: executada com sucesso e em pleno funcionamento”, relembra Elis.

Por Ana Graciele Gonçalves e Elisa Ventura – Assessoria de Comunicação CFA

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